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DIÁRIO DE CUIABÁ

Um exemplo de que é possível vencer

Quarta, 25 de julho de 2012, 11h23

ALECY ALVES
Da Reportagem

Depois de se recuperar da dependência da pasta-base de cocaína, a diarista Ednalva Campos, de 37 anos, não conquistou apenas a harmonia da família. Também conseguiu emprego, montou sua casa, comprou moto e casou-se com José Cesário Silva Neto, também ex-dependente químico. Mãe de quatro filhos - dos quais dois moram com ela – Nalva, como é chamada, chegou a perder a guarda das crianças por causa das drogas. Por determinação da Justiça, durante um ano os filhos dela - Célio de Campos Leite Júnior, 16 anos, Brenda, de 14 anos - moraram na casa da tia, Neusa Pereira Alves, enquanto a mãe vivia em uma unidade terapêutica mantida por uma entidade religiosa.

Nalva diz que chegou ao fundo do poço, mas somente depois de abandonar as drogas e ouvir o relato do filho Júnior entendeu o mal que praticava contra si e sua família. Ela conta que aceitou o tratamento porque o Conselho Tutelar apreendeu as crianças e as levou para o Juizado da Infância e Juventude.

Isso aconteceu porque na casa onde as crianças viviam com ela não havia alimentos e cama para que dormissem. Nalva, que já trabalhava como diarista e manicure, gastava o pouco dinheiro que ganhava em drogas, bebidas e cigarro, enquanto os filhos passavam fome ou faziam as refeições na casa de parentes.

Ela já não conseguia mais trabalhar porque passava as noites usando drogas e não se alimentava direito. Com apenas 40 quilos, estava esgotada e sem forças para o trabalho. De tanto faltar aos compromissos, começou a perder as clientes.

A diarista que hoje se orgulha das próprias conquistas pós-dependencia, relembra que começou a usar drogas com mais de 20 anos, pouco depois da morte da mãe. A exemplo do que acontece com a grande maioria, logo se tornou dependente, a ponto de não ter vontade própria.

“As drogas me dominavam, mas hoje vejo que temos cura, que podemos vencer esse mal. Sou um exemplo disso”, ensina. Nalva revela que dois anos e meio depois de iniciar o tratamento sente-se completamente liberta, sem o menor sinal de desejo. “Vejo gente bebendo e fumando e nada disso me atrai”, comemora.

Os mais felizes nessa história de superação sãos os filhos de Nalva, Júnior e Brenda. Além de ter a presença e o carinho da mãe, agora vivem um apartamento confortável, com fogão, cama-box, alimento à mesa, além de ar condicionado e tevê por assinatura, antes considerado um luxo longe do alcance da família.

Todo esse conforto é mantido como muito trabalho. Atualmente, Nalva é diarista em quatro casas. Nos finais de semana ainda trabalha como manicure.

Uma das casas em que trabalha é a do procurador de Justiça José Antônio Borges, o mesmo que, na época como promotor da Vara da Infância, atuou favoravelmente ao afastamento dela dos filhos, condicionando a recuperação da guarda à internação para tratamento.

 

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