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A GAZETA

MP quer solução em até 3 meses

Terça, 10 de julho de 2012, 11h07

CAROLINE RODRIGUES
DA REDAÇÃO

A falta de qualidade dos aparatos ortopédicos oferecidos pelo Centro de Reabilitação Dom Aquino Corrêa (Cridac), bem como o atraso nas obras de reforma da nova sede, que já dura 3 anos, motivaram o Ministério Público Estadual (MPE) a notificar o secretário de Saúde do Estado, Vander Fernandes. No documento, a instituição pede que o gestor comunique as providências tomadas para acabar com o problema em 90 dias. O Cridac atende cerca de 700 pessoas por dia e o espaço está em condições críticas de infraestrutura.

Conforme o MP, a notificação aconteceu após o recebimento de denúncias. As paredes do prédio estão descascando e várias infiltrações podem ser vistas. Parte do telhado de um dos blocos cedeu e o gesso, que faz o acabamento do forro, já não existe nos ambientes. Fios e tubulações estão à mostra e apontam a necessidade de reforma urgente, além do risco de um incêndio.

Em fevereiro deste ano, o atendimento no Cridac ficou suspenso porque a chuva fez com que um dos blocos ficasse alagado. O teto cedeu e não havia condições dos funcionários fazerem o trabalho. Na ocasião, vários ônibus e carros chegaram de toda região do Estado. Todos estavam lotados com pacientes, que foram embora para casa sem conseguir dar sequência ao tratamento.

O adestrador de cães, Neusmar José de Oliveira, 48, conta que os profissionais são muito atenciosos, mas o espaço para o trabalho é pequeno e sempre está lotado. Como os ambientes têm algum tipo de improviso, o serviço fica desorganizado.

Além da falta de qualidade dos produtos comprados pelo Estado, as pessoas que fazem tratamento no local reclamam do tempo de espera por um aparato ortopédico, seja ele prótese ou cadeira de rodas. Apenas aguardando por uma cadeira, são mais de 800 pacientes.

Um deles é Fernando Silva Santos, 26. Ele espera há 2 anos por um aparato e para se locomover usa uma cadeira, emprestada da escola. A estrutura do equipamento não é adequada e pequena para o tamanho do rapaz, que tem paralisia cerebral.

A mãe dele, Sônia Maria dos Santos, 43, afirma ainda que a espera é longa e prejudica a qualidade de vida dele. Em um local adequado, há mais segurança e menos risco de lesões. O jovem também está na fila por outro aparelho, que fica nos pés para dar firmeza.

A mãe relata que está há 1 ano e 4 meses na fila e ontem fez a retirada da medida. Ela acredita que, com a colocação do material, o filho terá condições de dar os primeiros passos com ajuda de barras paralelas. Sônia lembra a última consulta com a médica, na qual foi informada que os primeiros passos vão fortalecer o organismo dele. O exercício vai facilitar a respiração, digestão e a possibilidade de poder ficar de pé deixa Fernando ‘todo faceiro‘.

Outro lado -Adiretora do Cridac, Lúcia Provenzano, assegura que todas as medidas estão em andamento e a expectativa é que em 4 meses a nova sede esteja concluída. Ela relata que as obras demoraram porque houve paralisação e também foi necessária a adaptação do projeto para inclusão de mais serviços, como o de reabilitação visual.

Quanto à fila de espera por aparatos, Lúcia relata que o problema é a burocracia do processo de licitação. Uma compra chega a demorar mais de 6 meses e quando os produtos chegam, a demanda está alta novamente.

 

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